sábado, 16 de abril de 2011

Crônica - Final de semana ( Autor: Carlúcio Bicudo - registro 33575 - livro 5 A




"Final de semana"
Autor: Carlúcio Bicudo - registro 33575 - livro 5 A

Basta chegar o final de semana, para os problemas começarem a surgir.
São de todos os tipos.
Tem aquele primo distante que chega para o almoço de domingo todo cheio de si. Mas antes de sentar a mesa, nos chama para uma conversa em particular e logo somos surpreendidos com aquele pedido de dinheiro.
− Alberto, estou passando um grande sufoco na minha casa. Perdi meu emprego e minha esposa já estava desempregada. Será que você não pode emprestar um dinheiro por dois meses. Pago com juros.
− Poxa, primo... Ontem emprestei o que vinha juntando há dois anos ao meu sobrinho que bateu com o carro e está hospitalizado. Mas não fique chateado não. As coisas vão melhorar. Tenha fé!
É nos domingos que conhecemos os verdadeiros parentes que só pensam em si dar bem.
Têm parentes que todo final de semana, vai visitar alguém da família. Assim, não precisa gastar em casa. Come fora! E ainda tem coragem de dizer com todas as letras. Lá em casa um botijão de gás, dura 3 meses.
Também pudera, só come fora! Haja economia.
Tem coisa pior do que despertar em pleno domingo com o telefone tocando estridentemente? Ou mesmo, com batidas na porta, por uma vizinha, pedindo um pouco de açúcar. Por que o dela acabou sem que tivesse tempo de ir ao mercado?
Olha! Tem dia, que estou com a cabeça fervendo... dá vontade de mandar tudo para o PQP!
E quando a mulher começa a querer inventar na cozinha um prato novo que aprendeu na TV. Ai começa o assalto a minha carteira. Rsrs.
É dinheiro para comprar tudo... pois fica sempre faltando matéria-prima para acabar a receita. A mulher logo grita. O prato só ficará bom. Se estiver com todos os ingredientes.
Eu logo questiono. Não dá para fazer somente arroz e batatas fritas?
A dona encrenca logo pula com as mãos nas cadeiras. Retirando o avental e xingando muito. Ta vendo, quando quero fazer algo de diferente para te agradar. Você logo vem com essa conversa de arroz com feijão.
Mas queria, ficar indo ao mercadinho da esquina comprar aos pouquinho, no final do mês, gastamos mais que o dobro do necessário. Temos que economizar para comprar aquele quarto novo que você tanto quer.
Ela já muito brava, grita! − Eu não tenho que economizar nada... Comprar móveis novos para a casa é sua obrigação. Afinal, não sai da casa dos meus pais para ser sua empregada. Sou sua esposa.
Para não continuar discutindo vou para o meu escritório para ler os e-mails no computador. Mas ao abrir a porta. Surpresa! Filhos usando o pc para brincarem...
Meninos porque não vão brincar no videogame?
Viro as costas, fecho a porta e volto para a sala... Quando chego, tenho outra surpresa. Encontro bem no meio da minha sala o dono da Farmácia, que veio cobrar pelos medicamentos atrasados.
Como atrasados, eu pergunto. Já mandei a Adriana ir pagar o senhor na semana passada. Pois é querido... Desculpe, mas passei em frente à loja da Aninha e vi uma bolsa que estava em promoção. Não resisti e comprei.
Puta merda! Deste jeito... ainda abandono a casa, mulher, filhos, gato, cachorro e periquito. E vou-me embora! Deste jeito não aguento.
Olha que o dia só está começando.

sábado, 26 de março de 2011

Um projeto que deu certo.



O Um poema em cada árvore é um projeto que visa o incentivo à leitura, à produção literária, a democratização do acesso aos bens culturais e popularização da poesia em Governador Valadares. Poemas de autores desconhecidos do grande público são impressos e pendurados em árvores de praças, ruas, avenidas e calçadões da cidade.

O Um poema em cada Árvore começou em agosto de 2010 a partir de iniciativa do poeta Marcelo Rocha.

Voluntários do Instituto Psia fazem a instalação dos poemas nas árvores.

Eu também participei com uma poesia.

Esta edição do projeto aconteceu em março de 2011, na lagoa que une os bairros Morada do Vale, Lagoa Santa e Santo Agostinho na cidade de Governador Valadares/MG.

Participaram desta 7ª edição do “Um poema em cada árvore”:

Alice Daniel

André Hemerly

Carlúcio Oliveira Bicudo

Dante Barbosa

Gika Persan

Luciano Esposto

Marcelo Rocha

Marília Siqueira Lacerda

Nilda Dias Tavares

Valdeck Almeida de Jesus

ValdirAzambuja.

Como participar


Qualquer pessoa pode colaborar com textos em verso. Os trabalhos devem ser enviados ao e-mail institutopsia@hotmail.com digitados em Word. Os textos enviados serão avaliados pela coordenação do projeto e selecionados conforme qualidade literária e adequação ao público. A participação no projeto é voluntária e não haverá pagamento de direitos autorais. Todo o material enviado poderá ser reproduzido na internet, no blog e Flickr do Instituto Psia.


segunda-feira, 21 de março de 2011

sexta-feira, 11 de março de 2011

Crônica - Papo-furado - Autor: Carlúcio Bicudo - registro 749562 - livro 4 A




Papo-furado
(Autor: Carlúcio Bicudo − registro 749562 − livro 4 A

Parecia ser um sábado comum, como tantos outros. Levantei-me mais cedo, precisava pagar umas contas na lotérica. Água, luz, telefone e outras coisas que já acumulavam na gaveta. Decidi pagá-las, antes que vencessem.
Arrumei-me e parti em direção a lotérica. Ao chegar, já deparei com a fila dobrando a esquina. E logo pensei: “Nossa! Parece que todos decidiram pagar as contas hoje”.
Ufa! Mas, fazer o quê? Tenho que pagá-las. Entrei na fila, como todo mundo e fiquei a esperar por minha vez.
Em seguida, entrou dois rapazes que já vinham conversando calorosamente. Juro que pensei que os dois iriam sair no tapa, logo atrás de mim.
Fiquei esperto, pois se eles viessem às vias de fato... Eu já estaria preparado para sair de perto e deixá-los brigar a vontade.
− Porra! Aí mano, tá muito estranho! − comentou o mais baixinho.
− Como assim, estranho? Seu filho de rapariga. − disse o magricela, já em tom ameaçador.
− Acho que é o teu cabelo!
− O que tem o meu cabelo? Acabei de sair da barbearia.
− Pois é... Você não notou nada de diferente no teu cabelo?
− Tipo?
− Amigo, você não olhou no espelho, assim que o barbeiro terminou?
− Claro que olhei. E não vi nada de anormal.
− Sério! Tem certeza de que não notou nada de esquisito?
− Merda! Diga logo “meio-quilo” o que tem o meu cabelo?
− Puta merda! Onde foi que você cortou o teu cabelo?
− Na barbearia da esquina. Com o seu Abelardo.
− Tá certo! Agora entendi, por que o teu cabelo está parecendo de veado
− Corta essa, anão! Tá me estranhando?
− Macarrão, no mínimo, você deve ter pedido ele para caprichar. Não foi?
− Sim! Como você sabe?
− Acorda, Macarrão! Seu Abelardo não escuta direito. Acho que ele entendeu pedir “para bicha” e não “capricha”. E caiu na gargalhada.
Neste momento, não aguentei e comecei a rir baixinho daquela situação toda. E ao mesmo tempo, preparando-me para a pancadaria que poderia começar. Mas, a briga, só estava na minha imaginação.
E assim, os dois continuaram naquela sacanagem de merda.
− Poxa!Tá mesmo de veadisse comigo, meio-quilo?
− Juro que não, Macarrão. Olhe só o corte superestranho que o Abelardo fez em você.
− Mas, foi eu que pedi para cortar deste jeito.
− Hum! Então, boiolou de vez, meu amigo. − Nem vem com este papo manso de amigo. Pior é este teu cabelão escorrido. Pensa que não sei que toda semana, faz chapinha? − falou, macarrão.
− Ah! Vá mano. Chapinha, eu? Conte outra.
− Chapinha sim. Quem disse foi a tua irmã, que estava fazendo as unhas na barbearia do seu Abelardo.
− A puta da minha irmã, disse isso?
− Sim. E com todas as letras... Contou até que já fez muita massagem no teu cabelão. Rsrs.
Neste momento, meio-quilo ficou branco feito uma cera. Subitamente o cara ficou mudo.
− E aí, meio-quilo, não tem nada para falar?
− Fale baixo, mano... Não precisa falar alto... Ninguém precisa saber que uso a chapinha de vez em quando. Desculpa a brincadeira... Teu cabelo está muito bonito e bem cortado, macarrão.
− Ué! Até ainda pouco, o meu cabelo era de veado. Agora ficou bom, para você?
− Sabe como é... Preciso estar sempre tirando um sarro de alguém de vez em quando. Desculpa ai, mano!
Eu fiquei bestificado com o diálogo dos rapazes. Cheguei a pensar que iriam brigar... Sai no braço. Mas tudo o que vi, foi uma troca de gentileza às avessas.
É o mundo está mesmo mudado...

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Crônica - Tragédia em um churrasco. Autor: Carlúcio Bicudo - registro 992525 - livro 4 B




"Tragédia em um churrasco"

(Autor: Carlúcio Bicudo − registro 992525 − livro 4 B)


Tudo transcorria muito bem... Num belo domingo de sol... Todos os amigos presentes.
Churrasco, cerveja e muitas mulheres bonitas...
Carne de primeira, em todos os sentidos... Rsrs.
O forró corria solto... Todos ali presentes se divertiam a valer.
Parecia que seria mais um domingo, cheio de alegria, farras e muito amor para distribuir.
A tarde já estava desaparecendo, quando duas mulheres começaram a disputar, Paulo, o gostosão da parada.
O sujeito estava gostando de ser cortejado por todas.
Embora, apenas duas demonstrassem interesse mais explícito.
− Já falei que esse cara é meu, Jane.
− Como é seu? Ele não disse que ficaria com você? Aliás, ele estava me cantando ainda pouco ali, próximo a porta da cozinha. − comentou, Maria.
− E outra coisa, acabei de vê-lo cheio de gracejos para a Alberta, próximo ao banheiro. Pelo jeito, ele está atirando para todos os lados. − falou, Jane.
− Também, bonito como ele, pode mirar em qualquer uma de nós, que iremos ficar alucinadas. − falou a Adriana, outra que suspirava pelos cantos.
− Pois pra mim, ele disse que no final da festa, quer sair comigo. − comentou Maria.
− Ué! Para mim, ele disse a mesma coisa. Será que o safado está pensando em fazer um bacanal? − disse Jane.
− Isso, não irá acontecer, pois já confirmou comigo. − esbravejou Maria.
Enquanto isso, o churrasco prosseguia e Paulo, se engraçando para todas as mulheres ali presentes. Na realidade ele não sabia quem iria com ele para casa. Só não queria passar a noite, sozinho. Sentado no fundo do quintal, Juvenal, observava a cena, chateado... Afinal, Jane, era a sua ex-mulher. E no fundo, ainda não se conformava com a separação de poucos dias.
Em sua mesa, ele comentava com o amigo Egberto...
− Isso vai acabar em merda. Não vou deixar este babaca pegar a minha mulher.
− Mas, o que é isso, Juvenal? Vocês não se separaram?
− E daí, mas tenho esperança de poder reatar.
− Você já tentou conversar com a Jane?
− Essa bandida, que eu amo, não quer falar comigo. Disse que não quer saber mais de mim. Mas, juro que se ela não ficar comigo, com outro é que ela não fica.
− Deixe de bobagem, rapaz! Com tanta mulher dando sopa ai... Parte para outra.
− Como, se o meu coração e a cabeça não deixam eu esquecer esta vagabunda. Os neurônios do meu cérebro já estão dando nó.
− Acho melhor, você parar de beber e ir para casa, esfriar a cabeça. − comentou, Egberto.
− Estou bem... Só quero observar o descaramento desta sem-vergonha.
Lá no fundo do quintal, Jane e Maria se atiravam para cima de Paulo.
Ora ele dançava com uma e ora dançava ralando coxa com a outra.
Juvenal levantou-se do seu canto e foi em direção a Jane. E segurando-a com força pelo braço, disse:
− Vamos dançar, Jane!
− Você não me esquece mesmo, não é Juvenal? Eu já não te disse que não quero mais nada com você. Deixe-me em paz. Parte para outra... Desencana!
O semblante de Juvenal transformou-se. Ele partiu em direção ao banheiro. Ficou lá por algum tempo.
Ao retornar, passou pela mesa, onde eram cortadas as carnes e pegou a faca e partiu silenciosamente em direção a Paulo, que gargalhava e abraçava as mulheres no canto distraidamente.
Juvenal atravessou todo o quintal, com a faca junto ao corpo, sem que ninguém observasse.
Ao aproximar-se de Jane que estava abraçada ao corpo de Paulo. Ele disse:
− Paulo, veja aqui o que tenho para você.
Com a faca em punho, Juvenal, desferiu uma, duas e três facadas, certeiras no coração de Paulo, que não teve como reagir.
Suas últimas palavras foram:
− Fui esfaqueado!
Cambaleou alguns metros e caiu de bruços, mortalmente ferido.
Juvenal largou a faca manchada de sangue, não da carne que era servida no churrasco, mas sim, de Paulo. E fugiu, para sair do flagrante.
As mulheres ficaram em prantos ao verem Paulo, dar os seus últimos suspiros.
Todos os presentes ficaram atônitos, e ligaram para a Polícia e para o resgate. Que mais uma vez, como sempre... Demorou a chegar.
No dia seguinte, no velório, várias viúvas do bonitão choravam desesperadamente, ao ver aquele corpo vestindo o tradicional paletó de madeira.

Autor: Carlúcio Bicudo - registro 992525 - livro 4 B