Ao ver um papel em branco, sinto a necessidade de preencher suas linhas com palavras.
sábado, 16 de abril de 2011
sábado, 26 de março de 2011
Um projeto que deu certo.
O Um poema em cada árvore é um projeto que visa o incentivo à leitura, à produção literária, a democratização do acesso aos bens culturais e popularização da poesia em Governador Valadares. Poemas de autores desconhecidos do grande público são impressos e pendurados em árvores de praças, ruas, avenidas e calçadões da cidade.
O Um poema em cada Árvore começou em agosto de 2010 a partir de iniciativa do poeta Marcelo Rocha.
Voluntários do Instituto Psia fazem a instalação dos poemas nas árvores.
Eu também participei com uma poesia.
Esta edição do projeto aconteceu em março de 2011, na lagoa que une os bairros Morada do Vale, Lagoa Santa e Santo Agostinho na cidade de Governador Valadares/MG.
Participaram desta 7ª edição do “Um poema em cada árvore”:
Alice Daniel
André Hemerly
Carlúcio Oliveira Bicudo
Dante Barbosa
Gika Persan
Luciano Esposto
Marcelo Rocha
Marília Siqueira Lacerda
Nilda Dias Tavares
Valdeck Almeida de Jesus
ValdirAzambuja.
Como participar
Qualquer pessoa pode colaborar com textos em verso. Os trabalhos devem ser enviados ao e-mail institutopsia@hotmail.com digitados em Word. Os textos enviados serão avaliados pela coordenação do projeto e selecionados conforme qualidade literária e adequação ao público. A participação no projeto é voluntária e não haverá pagamento de direitos autorais. Todo o material enviado poderá ser reproduzido na internet, no blog e Flickr do Instituto Psia.
segunda-feira, 21 de março de 2011
Haicai - Cascatas - Autor: Carlúcio O. Bicudo - registro 278254 - livro 4 B
sexta-feira, 11 de março de 2011
Crônica - Papo-furado - Autor: Carlúcio Bicudo - registro 749562 - livro 4 A

Papo-furado
(Autor: Carlúcio Bicudo − registro 749562 − livro 4 A
Parecia ser um sábado comum, como tantos outros. Levantei-me mais cedo, precisava pagar umas contas na lotérica. Água, luz, telefone e outras coisas que já acumulavam na gaveta. Decidi pagá-las, antes que vencessem.
Arrumei-me e parti em direção a lotérica. Ao chegar, já deparei com a fila dobrando a esquina. E logo pensei: “Nossa! Parece que todos decidiram pagar as contas hoje”.
Ufa! Mas, fazer o quê? Tenho que pagá-las. Entrei na fila, como todo mundo e fiquei a esperar por minha vez.
Em seguida, entrou dois rapazes que já vinham conversando calorosamente. Juro que pensei que os dois iriam sair no tapa, logo atrás de mim.
Fiquei esperto, pois se eles viessem às vias de fato... Eu já estaria preparado para sair de perto e deixá-los brigar a vontade.
− Porra! Aí mano, tá muito estranho! − comentou o mais baixinho.
− Como assim, estranho? Seu filho de rapariga. − disse o magricela, já em tom ameaçador.
− Acho que é o teu cabelo!
− O que tem o meu cabelo? Acabei de sair da barbearia.
− Pois é... Você não notou nada de diferente no teu cabelo?
− Tipo?
− Amigo, você não olhou no espelho, assim que o barbeiro terminou?
− Claro que olhei. E não vi nada de anormal.
− Sério! Tem certeza de que não notou nada de esquisito?
− Merda! Diga logo “meio-quilo” o que tem o meu cabelo?
− Puta merda! Onde foi que você cortou o teu cabelo?
− Na barbearia da esquina. Com o seu Abelardo.
− Tá certo! Agora entendi, por que o teu cabelo está parecendo de veado
− Corta essa, anão! Tá me estranhando?
− Macarrão, no mínimo, você deve ter pedido ele para caprichar. Não foi?
− Sim! Como você sabe?
− Acorda, Macarrão! Seu Abelardo não escuta direito. Acho que ele entendeu pedir “para bicha” e não “capricha”. E caiu na gargalhada.
Neste momento, não aguentei e comecei a rir baixinho daquela situação toda. E ao mesmo tempo, preparando-me para a pancadaria que poderia começar. Mas, a briga, só estava na minha imaginação.
E assim, os dois continuaram naquela sacanagem de merda.
− Poxa!Tá mesmo de veadisse comigo, meio-quilo?
− Juro que não, Macarrão. Olhe só o corte superestranho que o Abelardo fez em você.
− Mas, foi eu que pedi para cortar deste jeito.
− Hum! Então, boiolou de vez, meu amigo. − Nem vem com este papo manso de amigo. Pior é este teu cabelão escorrido. Pensa que não sei que toda semana, faz chapinha? − falou, macarrão.
− Ah! Vá mano. Chapinha, eu? Conte outra.
− Chapinha sim. Quem disse foi a tua irmã, que estava fazendo as unhas na barbearia do seu Abelardo.
− A puta da minha irmã, disse isso?
− Sim. E com todas as letras... Contou até que já fez muita massagem no teu cabelão. Rsrs.
Neste momento, meio-quilo ficou branco feito uma cera. Subitamente o cara ficou mudo.
− E aí, meio-quilo, não tem nada para falar?
− Fale baixo, mano... Não precisa falar alto... Ninguém precisa saber que uso a chapinha de vez em quando. Desculpa a brincadeira... Teu cabelo está muito bonito e bem cortado, macarrão.
− Ué! Até ainda pouco, o meu cabelo era de veado. Agora ficou bom, para você?
− Sabe como é... Preciso estar sempre tirando um sarro de alguém de vez em quando. Desculpa ai, mano!
Eu fiquei bestificado com o diálogo dos rapazes. Cheguei a pensar que iriam brigar... Sai no braço. Mas tudo o que vi, foi uma troca de gentileza às avessas.
É o mundo está mesmo mudado...
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Crônica - Tragédia em um churrasco. Autor: Carlúcio Bicudo - registro 992525 - livro 4 B

"Tragédia em um churrasco"
(Autor: Carlúcio Bicudo − registro 992525 − livro 4 B)
Tudo transcorria muito bem... Num belo domingo de sol... Todos os amigos presentes.
Churrasco, cerveja e muitas mulheres bonitas...
Carne de primeira, em todos os sentidos... Rsrs.
O forró corria solto... Todos ali presentes se divertiam a valer.
Parecia que seria mais um domingo, cheio de alegria, farras e muito amor para distribuir.
A tarde já estava desaparecendo, quando duas mulheres começaram a disputar, Paulo, o gostosão da parada.
O sujeito estava gostando de ser cortejado por todas.
Embora, apenas duas demonstrassem interesse mais explícito.
− Já falei que esse cara é meu, Jane.
− Como é seu? Ele não disse que ficaria com você? Aliás, ele estava me cantando ainda pouco ali, próximo a porta da cozinha. − comentou, Maria.
− E outra coisa, acabei de vê-lo cheio de gracejos para a Alberta, próximo ao banheiro. Pelo jeito, ele está atirando para todos os lados. − falou, Jane.
− Também, bonito como ele, pode mirar em qualquer uma de nós, que iremos ficar alucinadas. − falou a Adriana, outra que suspirava pelos cantos.
− Pois pra mim, ele disse que no final da festa, quer sair comigo. − comentou Maria.
− Ué! Para mim, ele disse a mesma coisa. Será que o safado está pensando em fazer um bacanal? − disse Jane.
− Isso, não irá acontecer, pois já confirmou comigo. − esbravejou Maria.
Enquanto isso, o churrasco prosseguia e Paulo, se engraçando para todas as mulheres ali presentes. Na realidade ele não sabia quem iria com ele para casa. Só não queria passar a noite, sozinho. Sentado no fundo do quintal, Juvenal, observava a cena, chateado... Afinal, Jane, era a sua ex-mulher. E no fundo, ainda não se conformava com a separação de poucos dias.
Em sua mesa, ele comentava com o amigo Egberto...
− Isso vai acabar em merda. Não vou deixar este babaca pegar a minha mulher.
− Mas, o que é isso, Juvenal? Vocês não se separaram?
− E daí, mas tenho esperança de poder reatar.
− Você já tentou conversar com a Jane?
− Essa bandida, que eu amo, não quer falar comigo. Disse que não quer saber mais de mim. Mas, juro que se ela não ficar comigo, com outro é que ela não fica.
− Deixe de bobagem, rapaz! Com tanta mulher dando sopa ai... Parte para outra.
− Como, se o meu coração e a cabeça não deixam eu esquecer esta vagabunda. Os neurônios do meu cérebro já estão dando nó.
− Acho melhor, você parar de beber e ir para casa, esfriar a cabeça. − comentou, Egberto.
− Estou bem... Só quero observar o descaramento desta sem-vergonha.
Lá no fundo do quintal, Jane e Maria se atiravam para cima de Paulo.
Ora ele dançava com uma e ora dançava ralando coxa com a outra.
Juvenal levantou-se do seu canto e foi em direção a Jane. E segurando-a com força pelo braço, disse:
− Vamos dançar, Jane!
− Você não me esquece mesmo, não é Juvenal? Eu já não te disse que não quero mais nada com você. Deixe-me em paz. Parte para outra... Desencana!
O semblante de Juvenal transformou-se. Ele partiu em direção ao banheiro. Ficou lá por algum tempo.
Ao retornar, passou pela mesa, onde eram cortadas as carnes e pegou a faca e partiu silenciosamente em direção a Paulo, que gargalhava e abraçava as mulheres no canto distraidamente.
Juvenal atravessou todo o quintal, com a faca junto ao corpo, sem que ninguém observasse.
Ao aproximar-se de Jane que estava abraçada ao corpo de Paulo. Ele disse:
− Paulo, veja aqui o que tenho para você.
Com a faca em punho, Juvenal, desferiu uma, duas e três facadas, certeiras no coração de Paulo, que não teve como reagir.
Suas últimas palavras foram:
− Fui esfaqueado!
Cambaleou alguns metros e caiu de bruços, mortalmente ferido.
Juvenal largou a faca manchada de sangue, não da carne que era servida no churrasco, mas sim, de Paulo. E fugiu, para sair do flagrante.
As mulheres ficaram em prantos ao verem Paulo, dar os seus últimos suspiros.
Todos os presentes ficaram atônitos, e ligaram para a Polícia e para o resgate. Que mais uma vez, como sempre... Demorou a chegar.
No dia seguinte, no velório, várias viúvas do bonitão choravam desesperadamente, ao ver aquele corpo vestindo o tradicional paletó de madeira.
Autor: Carlúcio Bicudo - registro 992525 - livro 4 B
