sexta-feira, 6 de maio de 2011

Crônica "Minha mulher virou faxineira" - Autor: Carlucio Bicudo - registro 953341 - livro 4 B)



"Minha mulher virou faxineira"
(Autor: Carlucio Bicudo − registro 953341 − livro 4 B)

− Joana, o que está acontecendo com você?
− Como assim, Pedro? Não entendi?
− Veja como você me recebe, quando chego do trabalho. Toda mal vestida. Cabelo cheio de bobes. Ainda por cima, não esta cheirando bem.
− É, mas sou eu que tenho que trabalhar todos os dias para manter a casa limpa e em ordem. Lavo, passo, cozinho e ainda cuido das crianças. Afinal são 4 para cuidar e ainda levá-los para a escola. Eu não deveria ter tido tantos filhos. Ultimamente nem pareço ser a mãe deles, mas sim a empregada da casa.
− Não seja tão intolerante, Joana!
− Ué, não foi você quem disse que eu estava desleixada?
− Eu não usei está palavra.
− E precisava? Já disse tudo. Que o recebo mal vestida, cabelo despenteado e cheirando mal.
− Outro dia, o Alberto, me convidou para almoçar na casa dele. Assim de improviso. Sua esposa Hellen, não estava esperando receber visita. Mas ao chegarmos, ela recebeu o marido na porta toda bem vestida e cuidada.
− Mas quantas empregadas, a Hellen tem? − Bem, vi apenas uma cozinheira que serviu o almoço.
− Tá vendo só... Tinha até uma cozinheira para fazer e servir o almoço e depois lavar todos os pratos e talheres. É por isso que a mulher do seu amigo. Os recebeu bem vistosa. Agora já eu... Tenho que fazer de tudo.
− Tá bom, Joana. Não falo mais nada. Mas você bem que poderia tirar estes bobes e o avental. Ficar ao menos um pouco apresentável.
− Vou esperar você contratar uma secretária. Você e os nossos pimpolhos deixam as roupas, toalhas, tênis e sapatos. Espalhados por aí.
− Também não precisa ser tão severa nos cuidados com a casa.
− Não é... Sua mãe repara em tudo. Vive passando os dedos sobre os móveis, só para verificar se estão limpos.
− Minha mãe?
− Sim. A dona Catarina, não perde a mania de bisbilhotar aqui em casa. Todos os dias, ela bate o cartão às 08h30min em ponto.
− Joana, você só pode estar brincando.
− Você acha que eu brincaria com uma coisa destas? Estou ficando é chateada... Com tantos afazeres e cobranças.
− Calma, meu amor. Prometo não tocar mais neste assunto.
− Não se preocupe... Vou deixar de ser a sua secretária em breve. E me tornar uma madame.
− Não entendi. Você pode ser mais precisa?
− Vou fazer como a mulher do seu amigo. De hoje em diante, serei apenas sua esposa... Trate de contratar uma secretária do lar, para fazer os afazeres domésticos. Irei ao salão de cabeleireiro duas vezes por semana.
− Mulher, você só pode estar brincando!
− Não sou mulher de brincadeira. Sou mulher de atitude. Você não quer uma mulher cheirosa e bem cuidada todos os dias? Pois bem. De hoje me diante. Serei!
− Mas Joana, não tenho dinheiro sobrando para te bancar este mimo toda semana?
− Se vira! É problema seu. Ah! E tem outra coisa... Pode convidar seus amigos pelo menos uma vez por semana para virem almoçar ou jantar aqui em casa.
− Já vi que com você não dá mesmo para conversar. Está ficando louca!
− Não. Apenas acordando para a vida! E pode apostar que vou ficar tão bonita que os teus amigos, vão elogiar.
− Definitivamente, você enlouqueceu.
− Bobagem amor. Só vou voltar a ser quem era. Antes de casar com você e me tornar sua empregada.

2 comentários:

Giovana Damaceno disse...

Infelizmente ainda existem casais assim. E as mulheres são as maiores responsáveis, pois são elas mesmas que se colocam na posição de serviçais. Se marido meu depender de mim pra comer, morre de fome. E se aprontar briga por isso, é mala no portão.

Teresa Azevedo, menina mulher. Prosa e Verso. disse...

Olá Carlucio, amei esta crônica com tamanha dose de realidade. Agradeço por sua visita ao meu site, vou aguardar novas visitas sempre. Abraços