terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Contos da Carochinha - A Igreja de Falster.



Existe em Falster, na Dinamarca, uma mulher, que não tendo filhos, nem parentes, resolveu empregar a sua fortuna em obras piedosas.
Fez construir uma igreja magnifica.
Quando o edíficio ficou pronto, ajoelhou-se, e, com as mãos postas, pediu a Deus para viver tanto tempo quanto as paredes daquele santuário ficassem em pé.
A morte começou a devastar todos em torno dela, a arrebatou-lhe todos os amigos e parentes de seu convívio.
Viu morrer pessoas de sua idade; viu gente crescer, envelhecer e morrer.
A pobre mulher, que tinha manifestado tão imprudente desejo, não podia morrer. Envelhecia, porém, lentamente sozinha.
Envelheceu de tal maneira, que acabou por perder o uso das faculdades.
Não comia senão uma vez por ano à meia noite, na missa do Natal.
Então fez construir um esquife, deitou-se nele, e mandou que a colocassem dentro da igreja, junto a nave central.
Conservou-se aí durante todo o ano, imóvel e calada.
Mas no dia de Natal recuperou a palavra.
O padre aproximou-se dela, que lentamente, se ergueu do esquife, e falou?
_ A minha igreja ainda está de pé?
_ Ainda! respondeu o padre.
_ Ai de mim! gemeu ela, imperceptívelmente.
E depois torna a deitar-se no leito fúnebre.

Autor: Hans Cristian Andersen.

Um comentário:

Giovana Damaceno disse...

Contos de Andersen! Que lembrança boa... eles fizeram parte da minha infância.